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segunda-feira, 11 de novembro de 2013

...com um abraço do Tony

Via Rogério Lama

Foto de Rogério Lama





























Caro amigo, minhas saudações!

O acaso ainda não cansou de nos pregar peças e dessa vez foi por pouco que aquele prometido abraço não foi dado! Mas já estou acostumado com esses desencontros, a começar pelos anos em que nascemos: eu em 48 e você em 78. Você teve melhor sorte nascendo no Brasil. Viver em Aston na década de 50 e 60 era um inferno. Éramos escravizados pelas fábricas, as pessoas eram tristes e o lugar também inspirava melancolia. Quando você estranha quando digo que fui influenciado pelos Kinks e pelos Beatles, pense que meu som é a mistura desses caras com a angústia de viver num lugar tão miserável.

Mas tão logo eu comecei a tocar em bandas de colégio, fiz uma promessa de fazer um show pra você e pros seus amigos. Quando assinamos nosso primeiro contrato com a gravadora, vi que estávamos no caminho certo pra isso. Só faltava você nascer e crescer um pouco. Foram bons aqueles anos.

Em 1978, quando você nasceu, lançamos o último disco com aquela formação bacana, e em 79, quando você tinha apenas 1 ano, estávamos desgastados por excesso de trabalho, bebidas e... você sabe. Eu bem que tentei manter a banda unida, mas não havia ambiente. Pra piorar estávamos falidos. Éramos só garotos e não faltaram empresários que nos passassem a perna. Mesmo destroçado e na estaca zero não desisti da minha promessa. Nos anos que se seguiram me reuni com Dio, Ian Gillian, Ray Gillen, Tony Martin, Glen Hughes e mais um monte de gente pra manter vivo o Black Sabbath. Dessas tentativas saíram vários discos, alguns um pouco confusos e que nem eu consigo explicar muito bem. Você sempre diz que gosta deles, mas sei que diz isso por que somos amigos.

Passada essa fase difícil, em 1992 tivemos nossa primeira chance de sentarmos num bar pra tomar uma cerveja e por o assunto em dia: Dio e Geezer voltaram pra banda e agendamos 3 shows em São Paulo! Mas para o nosso azar, os concertos ocorreram no mesmo ano em que você se mudou com a família para uma cidade no nordeste aí do Brasil. Em 1994 voltamos à tocar em São Paulo, mas você só tinha 15 anos, e eu entendi que era difícil e caro fazer essa viagem daí da sua nova cidade.

Em 2009 passamos perto de novo! Reuni aquela formação de 1992 com Dio, Geezer e Vinnie, mas você já tinha juntado suas economias pra assistir o Iron Maiden numa cidade perto da sua. Ainda não era pra ser. A banda do Steve sempre foi muito profissional e o show deles foi agendado bem antes que o nosso. Foi uma pena não ter você por lá. Era a última turnê do Dio, que ainda não sabia que estava doente...

Em 2011 retomei a conversa com meus camaradas de Aston. Nós 4 ainda sonhávamos tocar juntos de novo e era um concerto desses que eu queria apresentar pra você, amigo! Infelizmente Bill destoou um pouco nos acordos e resolveu que não nos acompanharia. Seguimos então Geezer, Ozzy e eu para a gravação de um novo disco. Só que numa consulta de rotina, meu médico me diagnosticou com um câncer. Essa me acertou em cheio, camarada, e passei algumas semanas só pensando bobagens. Passado o susto, comecei o tratamento. Não poderia desistir nesse ponto! Obrigado pelas boas energias emanadas!

No meio desse turbilhão, gestamos o “13”, o primeiro álbum com Geezer e Ozzy desde aquele lançado no ano que você nasceu. Soube que você gostou do disco, fiquei orgulhoso! Também achamos que criamos uma obra e tanto. Nesse período, nosso empresário nos trouxe uma lista prévia de onde a turnê passaria. Procurei o Brasil na lista e fiquei feliz de ver 3 datas por aí! Só nos restava esperar!

Foto - Rogério Lama
Outubro chegou e algo me dizia que você estaria no Rio de Janeiro. No hotel, ali em Ipanema, tive a ideia de chamar o pessoal da produção pra dar uma volta no calçadão e ver se te encontrava! Dessa vez não daria pra tomar uma cerveja, esse tratamento me deixa meio enjoado. Saímos em direção ao Arpoador e logo apareceu um monte de gente com câmera na mão. Te procurei ali, mas não encontrei. Era você por trás de uma daquelas câmeras? Por que não me chamou? Bom, com o começo de confusão, o chato do segurança achou melhor voltarmos pro hotel.

Dia 13/10/2013. Fiz questão de convidar uma banda que você gosta pra abrir o nosso show. O Dave Mustaine continua ótimo, não? Às 20:06hs entramos e não demorei ver você ali perto do palco com expressão de bobo e de olhos inchados. Também me emocionei. Esperei até mais do que você por aquele encontro. Percebeu que selecionei suas músicas favoritas? Tocamos Into the Void, Fairies Wear Boots, Dirty Woman. Estava tudo lá. Ainda te joguei umas palhetas, mas você com cara de tonto não pegou nenhuma. Foram quase duas horas de música. Encontro realizado e assunto em dia, era hora de partir. Já não sou nenhum garoto e rotina de shows cansa. Vi lá de cima que você ficou feliz. Acenei, você retribuiu. Muito legal, valeu esperar!

Foi bom ver você, amigo. Lembranças à sua família e amigos.

Com um forte abraço do 


Tony Iommi.

2 comentários:

Fernanda disse...

Puxa vida Sarah, Rogério, oops, Tony me emocionou!!!!

rubens disse...

o tony não ia acenar para qualquer um, muito menos escrever uma carta. tinha que ser pra um morador da boa messejana